Texto: Martha Medeiros - Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NTIwMDg4/
As pessoas desancam o
casamento. Dizem que o amor míngua que o sexo começa a rarear, que a rotina é
acachapante. Dizem, dizem, mas as pessoas seguem casando e mantendo-se casadas
por quilométricos anos. Qual é a boa dessa história? Uma joia chamada intimidade.
Íntimos, muitos acreditam, são duas pessoas que possuem relações físicas e
emocionais entre si. É bem mais que isso. Intimidade é você não precisar
verbalizar tudo o que pensa, é aceitar a solidão do outro, é estarem
familiarizados com o silêncio de cada um. Intimidade é não precisar estar linda
em todos os momentos, não precisar ser coerente em todas as atitudes, é rirem
juntos de uma história que só eles conhecem o final.
Intimidade é ler os olhos, os lábios e as mãos de quem está com você. Mais do
que repartir um endereço, é repartir um projeto de vida. Não basta estar
disponível, não basta apoiar decisões, não basta acompanhar no cinema:
intimidade é não precisar ser acionado, pois já se está mentalmente a postos.
Intimidade é não ter vergonha de ser o que a gente é, não precisar explicar
coisa alguma, ser compreendido e brigar sabendo que nada irá se romper.
Intimidade é não precisar andar na ponta dos pés pelos corredores de uma vida
compartilhada.
Muitos se mantêm casados por causa desse idílio que é não precisar se anunciar
todo dia como um investimento seguro, podendo inclusive usar aquelas camisetas
puídas e comer o "s" de uma palavra no plural sem que a sua cotação
desabe. Só há uma coisa ruim na intimidade: a falta que faz um pouco de cerimônia.
Calcinhas penduradas no banheiro, o telefonema sempre na mesma hora da tarde, o
arroto que dispensa o pedido de desculpas, o lençol amarfanhado, a TPM todo
santo mês, o mesmo perfume, as mesmas reações, o mesmo cardápio. O lado negro
de um matrimônio feliz.
O casamento dá uma intimidade rara, apaziguadora, salutar. Não há máscaras nem
teatro: é o habitat natural de um homem e de uma mulher que se querem como são.
A intimidade salva as relações extensas, a não ser quando as corrói.
Contradição maquiavélica. O melhor e o pior dos mundos, nos obrigando a
escolher entre o habitual e a novidade, entre a paz e a adrenalina, entre a
rede e o salto. Sedução x segurança: que vença o melhor.

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