sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Eu


(Livro de Mágoas – Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho,
E desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida.
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto, sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vaidade


(Poesia do livro de Mágoas – Florbela Espanca)

Sonho que sou poetisa eleita. 
Aquela que diz tudo e tudo sabe. 
Que tem a inspiração pura e perfeita. 
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade,
para encher todo o mundo!
E que deleita mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou alguém, cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
e quando mais no alto ando voando,
acordo do meu sonho...
e não sou nada!...


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Biografia de Florbela Espanca



Á partir de hoje, pretendo dividir o espaço no meu blog com outros poetas, bem mais competentes do que eu,  e acredito que assim estarei enriquecendo o conteúdo para o leitor. Apresento uma das minhas poetisas preferidas: Florbela Espanca!

Ela é profunda, visceral e contagiante, você vai ver.

Todas as informações aqui contidas foram extraídas do e-biografias : http://www.e-biografias.net/florbela_espanca/

 Nasceu em 1894 e faleceu em 1930, aos 36 anos. Poetisa portuguesa, ela escreveu sonetos e contos de grande valor na literatura daquele país, também foi uma das feministas precursoras de Portugal. Sua poesia é conhecida pelo forte teor emocional, “onde o sofrimento, a solidão, e o desencanto estão aliados ao desejo de ser feliz”.
 Casou-se com com um colega de escola, Alberto Moutinho, em 1913. Nessa mesma época conheceu outros poetas e participou de um grupo de mulheres escritoras. Foi primeira mulher a ingressar no curso de Direito da Universidade de Lisboa, em 1917.
Em 1919, lançou “Livro de Mágoas”. Parte de sua inspiração veio de sua vida tumultuada, inquieta e sofrida pela rejeição do pai. Nessa época começa a apresentar um desequilíbrio emocional. Sofre um aborto espontâneo, que a deixa doente por um longo período. Em 1921, divorcia-se de Alberto e casa-se com o oficial de artilharia António Guimarães. Em 1923 publica “Livro de Sóror Saudade”. Nesse mesmo ano, sofre novo aborto e separa-se do marido. Em 1925, casa-se com o médico Mário Laje, em Matosinhos. Em 1927, sua vida é marcada pela morte do irmão, em um acidente de avião, fato que a levou a tentar o suicídio. A morte precoce do irmão lhe inspirou a escrever “As Máscaras do Destino”.
A poesia de Florbela Espanca é caracterizada por um forte teor confessional. A poetisa não se sentia atraída por causas sociais, preferindo exprimir em seus poemas os acontecimentos que diziam respeito à sua condição sentimental. Não fez parte de nenhum movimento literário, embora seu estilo lembrasse muito os poetas românticos.
Florbela Espanca morreu em decorrência de suicídio por barbitúricos, no dia 8 de dezembro de 1930, às vésperas da publicação de sua obra prima “Charneca em Flor”, que só foi publicada em janeiro de 1931.