Texto: Célia Mota
Todo
dia de manhã ela sente vontade de chorar.
Assim,
do nada, a tristeza chega humilde e vai se avolumando até tomar conta do
quarto, do apartamento, do prédio todo.
Então ela abraça o travesseiro e chora, pois
nesses dias é impossível sair da cama.
O
silêncio insuportável grita em sua mente e ecoa nas paredes.
Quando
ela olha para trás, e para os lados, percebe que seu mundo é solidão, que
passou a maior parte da vida procurando a “outra metade” sem
nunca se dar conta de que talvez já seja completa em si mesma.
E
é só esse vazio, mais nada.
Já
disseram que você possui todas as ferramentas de que precisa, e o amor que lhe falta está dentro de si ?
Ela
tem procurado por ele e simplesmente não encontrou.
As
pessoas são apenas os outros, não estão nem aí para os seus problemas. Não entendem, só querem se livrar dessa sua
tristeza, então oferecem mais pílulas, mais médicos...
Eles nunca
sentiram sua dor e, mesmo assim, julgam , criticam e escondem os próprios defeitos atrás de um
tecido tão fino e transparente que
só serve para cobrir suas conveniências...
hipócritas!
hipócritas!
Ela
se enrola em seu cobertor e foge do frio lá fora,
dos
olhares de reprovação e das cobranças. Assim,
por um breve instante, vislumbra a mente quieta, o coração tranquilo e o sangue
vermelho colorindo os lençóis alvejados...


