terça-feira, 20 de agosto de 2013

Minha filha



Vida, doce vida,
Gota do mais puro mel,
Copo de água limpa da fonte,
Azul do céu.

Canção do mais belo anjo,
Perfume de rosas,
Verde do mar,
Cachoeira que cai,
Vento fresco,
asas...

Banho morno,
Beijo quente,
Abraço apertado,
café com leite, 
pão saindo do forno...

Beleza da juventude,
Sabedoria da idade,
Lareira do inverno,
amor de verão,
alegria, paz, saúde,
quietude do coração...

imensidão do infinito,
meu mais intenso querer.
O sentimento mais bonito!
O mágico,
O belo, 
O saber...


Minha filha.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Filha da miséria: outra história triste



Nasci  em Alagoinhas, interior da Bahia, e como qualquer menina  que nasce filha de pai irresponsável e mãe sem juízo, fui adotada pela miséria e o descaso.

Só mais uma.

Aos dez anos foi que a vida virou pesadelo de sono pesado, daqueles difíceis de acordar.  Ela saiu pela porta da frente e pediu que eu cuidasse dos meus seis irmãos mais novos. Não disse para onde ia, nem quando voltava. Apenas passou a chave na porta e saiu caminhando sem olhar para trás. Do buraco da parede dava para ver, ao longe, seu vestido encardido se encher de vento e agarrar nos galhos secos e rasteiros.

Abandono.

O dia virou noite e depois, clareou de novo. Sem notícias, comida e nem água.  Meus irmãos a queriam, pois sabiam que só Ela levaria a dor embora. Aquela dor que se ente quando as paredes do estômago se colam uma na outra e suas tripas retorcem fazendo a gente dobrar as pernas, até cair no chão. É, eu também sentia, mas tinha que ser mais forte do que eles. Eu era a mais velha e estava ali para cuidar.

Choro, desespero, fome.

Um dia alguém passou por ali e ouviu meus gritos, sentiu pena e levou um pedaço de carne seca com aipim, foi o que nos valeu. A morte, que já atravessava as paredes sem cerimônia e sussurrava em meus ouvidos, resolveu nos dar mais um dia. De barriga cheia, a cabeça doía menos. Mas, tinha que ser de comida, quando comi pedaço de adobe das paredes a dor só aumentou. Adobe parecia melhor do que nada.

Solidariedade.

O tempo passava arrastado e eu já nem contava mais. Mas, ainda questionava se era mesmo eu, sozinha, quem cuidava dos meus irmãos. Ou se era Deus quem cuidava de nós. Quando a vida já escapava pela janela, alguém bateu na porta trazendo um fio de esperança o qual agarrei desesperadamente.

 Perspectiva.

Achei ter reconhecido aquela voz doce, mas não tive certeza na hora. Esperei que falasse mais um pouco e então identifiquei, era irmã de meu pai e perguntava por mamãe. Mas como explicar o que nem mesmo eu entendia? Apenas tomei fôlego e contei a história bem devagar, já que as tonturas ainda iam e vinham cada vez mais fortes.

Constatação.

“Mainha acordou triste, num dia igual aos outros, e foi-se embora sozinha sem deixar rastro.”
“Como conseguiram viver por tanto tempo trancados aqui?” tia perguntou. “Milagre.”, respondi.  E era mesmo verdade, naquele sertão castigado pelo sol e esquecido pela chuva, piedade alheia é luxo. Tinha um senhor que passava por ali, a caminho da lavoura de cana, e nos oferecia o que sobrava na marmita do almoço.

Sorte.

“Por que ninguém abriu a porta para tirar vocês daqui?”, ela queria saber. “Porque eu mentia que mainha voltava todo dia de noite.”, falei. Na verdade, eu realmente esperava que ela voltasse, todos os dias. Por isso deveríamos esperar ali, onde fomos deixados. Como ela nos encontraria se nos levassem?

Porta abaixo.

Ao ver o corpinho no chão, virado para a parede do canto, tia olhou para mim, desesperada.  Ao perceber sua agonia, eu tentei explicar que o bebê dormia pesado demais. Dois dias atrás, ele chorava muito alto, parecia que nunca ia parar. Achei mesmo que ele estava com fome e coloquei um pedaço de macaxeira na sua boquinha. O “bichinho” até que tentou comer, mas, acho que é nessas horas que faz falta ter dentinhos para mastigar, né? Por fim, ele desistiu, se calou e caiu num sono de dar gosto! Quisera eu dormir assim. Acho que até conseguiria, se pelo menos a barriga parasse de doer...

Morte.

A mesma que assoprava em meus ouvidos e até parecia uma velha conhecida, bajulava-me para roubar dos meus braços o meu irmãozinho. Naquele dia descobri o quanto ela pode ser traiçoeira. E descobri também uma maneira de ignorar seus sussurros.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Amor próprio


Texto: Célia Mota

É incrível a nossa capacidade de amar e, por causa desse amor, acreditar no melhor das pessoas. Mas, impressionante mesmo é o poder de cura que cada um possui! Cicatrizamos feridas profundas e seguimos caminho, embora incompletos e fragilizados, mas sempre adiante, e melhorando a cada dia.

Algumas pessoas simplesmente sabem o momento de amar a si mesmas e isso é uma virtude preciosa! Respeitar os próprios princípios e lutar para permanecer de pé é característica dos fortes. Simples, não se pode abrir mão da dignidade, pois uma vez perdida, as chances de recuperá-la são mínimas e não vale a pena arriscar algo tão importante.

Saber amar o outro é mágico, somente os mais corajosos são capazes de se entregar totalmente a um sentimento. No entanto, saber se amar é incrivelmente superior ao mais forte sentimento humano. Amor próprio não é egoísmo. Se valorizar, aprimorar seus pontos positivos e oferecer ao mundo uma versão melhor de si mesmo é estratégico.  E respeitar os próprios limites é um bom começo para conquistar o respeito dos demais.

Então, que tal se blindar contra o fracasso emocional e amar um pouco mais a única pessoa capaz de te salvar, aquela que vai estar ao seu lado em todos os momentos dessa vida? Tome uma dose a mais de amor próprio, só por hoje.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Intimidade - prós e contras



Texto: Martha Medeiros - Fonte:  http://pensador.uol.com.br/frase/NTIwMDg4/

As pessoas desancam o casamento. Dizem que o amor míngua  que o sexo começa a rarear, que a rotina é acachapante. Dizem, dizem, mas as pessoas seguem casando e mantendo-se casadas por quilométricos anos. Qual é a boa dessa história? Uma joia chamada intimidade. Íntimos, muitos acreditam, são duas pessoas que possuem relações físicas e emocionais entre si. É bem mais que isso. Intimidade é você não precisar verbalizar tudo o que pensa, é aceitar a solidão do outro, é estarem familiarizados com o silêncio de cada um. Intimidade é não precisar estar linda em todos os momentos, não precisar ser coerente em todas as atitudes, é rirem juntos de uma história que só eles conhecem o final.


Intimidade é ler os olhos, os lábios e as mãos de quem está com você. Mais do que repartir um endereço, é repartir um projeto de vida. Não basta estar disponível, não basta apoiar decisões, não basta acompanhar no cinema: intimidade é não precisar ser acionado, pois já se está mentalmente a postos.

Intimidade é não ter vergonha de ser o que a gente é, não precisar explicar coisa alguma, ser compreendido e brigar sabendo que nada irá se romper. Intimidade é não precisar andar na ponta dos pés pelos corredores de uma vida compartilhada.

Muitos se mantêm casados por causa desse idílio que é não precisar se anunciar todo dia como um investimento seguro, podendo inclusive usar aquelas camisetas puídas e comer o "s" de uma palavra no plural sem que a sua cotação desabe. Só há uma coisa ruim na intimidade: a falta que faz um pouco de cerimônia.

Calcinhas penduradas no banheiro, o telefonema sempre na mesma hora da tarde, o arroto que dispensa o pedido de desculpas, o lençol amarfanhado, a TPM todo santo mês, o mesmo perfume, as mesmas reações, o mesmo cardápio. O lado negro de um matrimônio feliz. 

O casamento dá uma intimidade rara, apaziguadora, salutar. Não há máscaras nem teatro: é o habitat natural de um homem e de uma mulher que se querem como são. A intimidade salva as relações extensas, a não ser quando as corrói. Contradição maquiavélica. O melhor e o pior dos mundos, nos obrigando a escolher entre o habitual e a novidade, entre a paz e a adrenalina, entre a rede e o salto. Sedução x segurança: que vença o melhor.




terça-feira, 9 de julho de 2013

Basta


Basta!

Cansei de viver à sua sombra. É aqui que nos separamos, seguirei sozinha até o final do percurso,Chutando minhas próprias pedras, e caindo também... por que não? Eu estava tão misturada a você que às vezes esquecia de mim mesma. Acordava pela manhã achando que poderia viver sua vida, pisar sobre suas pegadas, beber da sua água, comer do seu pão e até mesmo dormir o seu sono. Eu era você e nem me dava conta.

Hoje o despertar foi diferente!Percebi que tenho os meus próprios pés e meus passos são muito fortes! Brotou no meu íntimo uma vontade imensa de desatar essas amarras que me anulam diante de ti.

Quero rir das minhas piadas mais idiotas, pagar minhas contas atrasadas e ser livre para gostar do que quiser. Não pedirei licença nem “por favor”.

Daqui pra frente serei eu mesma. Se não se importa ...  

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Desapego




Não posso pedir-lhe exclusividade,
que  seja meu e de mais ninguém.
Seria pura maldade,
Se cada corpo trás em si os sabores nunca provados,
Desejos cuidadosamente guardados,
Habilidades que vão além...
Além do pensar,
Além do fazer,
Do amar,
Do poder...

E como impedi-lo de tentar desvendar tais mistérios?
De em outros corpos se aconchegar,
Em beijos estranhos se perder,
Se achar...
Não posso assumir tal culpa,
O fardo pesado e sério
De aprisionar um querer.

A vida é curta  até demais
para se prender ao irrelevante
os momentos raros não voltam atrás.
Os sonhos acabam ao amanhecer,
A felicidade dura apenas um instante.

E o erro passado nunca se desfaz.
A realidade é implacável
atropela os sonhadores,
Os libertinos,
Inocentes, amadores,
E também os indecisos.
Aí o irreversível, inexplicável!


Por isso, não quero de ti a dúvida,
Ou a força de uma decisão ponderada.
Só quero o que vier sem acréscimo
Ou juros de dívida passada.

Amor não se cria com amargura,
Obrigação,
Agonia...
Não é o que espero de ti.
Espero que me entregue em mãos, caso tenha,
Doçura,
Admiração,
Alegria!
Ou senão é melhor partir.



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Incerteza


Texto: Célia Mota

Não ouço mais o som da sua voz, ou sinto seu toque.
Aos poucos, uma presença que era tão forte também foi enfraquecendo e sumindo, levada pelo tempo.
ELE levou tudo que parecia “para sempre”…
as areias na praia,
as ondas do mar fazendo barulho ao bater nas pedras,
o sol morninho do entardecer
e a vontade de caminhar com os pés descalços, 
cabelos soltos
sob a chuva quente de verão…
A felicidade é mesmo um estado de espírito muito fugaz.
As ondas já não dançam lá fora,
o mar não dorme mais na minha janela e
as areias foram engolidas pelo tempo.
Você nunca mais sorriu para mim…
sua ausência jamais foi tão presente na minha vida.
Será que vai ser assim
“para sempre”?

terça-feira, 2 de julho de 2013

Doce insanidade



Texto: Célia Mota

Meu tempo é seu, o futuro é incerto
Acaba a noite, começa o dia
e não me canso de nós,
te quero por perto,
sentir o seu cheiro,
ouvir sua voz...

Vou ficar horas te olhando,
enchendo meus olhos de você.
Passo meus dias te amando,
Inundando meu corpo com o seu prazer.
Sua boca na minha,
Línguas entrelaçadas,
Sinto que posso enlouquecer.

Seu beijo me entorpece,
Me aquece,
Esquenta minha existência,
Dá sentido a minha loucura...
Sintetiza minha essência.

Posso ficar meses a te beijar,
Um beijo após o outro,
Invasivo, ousado.
Sem parar,
Sem pensar...
Comendo paixão,
Bebendo desejo,
e o tesão na boca
é  o seu suor salgado.


Minha mão no seu corpo,
Pele na pele,
Desejo absorto.
Carne trêmula,
Coração disparado,
O mundo girando
E em silêncio, meu desejo te chama.
Ansioso,
Quente,
Desesperado,
Sem condições ou fórmula.

E nos seus braços eu morro
um pouquinho a cada dia,
meus sentimentos, uma avalanche...
De anseio,
De amor,
De alegria,
Sinto que é breve o meu viver,
Mas não grito por socorro,
Só por revanche!




quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ode ao fracasso


Texto: Célia Mota

Todo dia de manhã ela sente vontade de chorar.
Assim, do nada, a tristeza chega humilde e vai se avolumando até tomar conta do quarto, do apartamento, do prédio todo.

Então ela abraça o travesseiro e chora, pois nesses dias é impossível sair da cama.
O silêncio insuportável grita em sua mente e ecoa nas paredes.

Quando ela olha para trás, e para os lados, percebe que seu mundo é solidão, que passou a maior parte da vida procurando a “outra metade” sem nunca se dar conta de que talvez já seja completa em si mesma.

E é só esse vazio, mais nada.
Já disseram que você possui todas as ferramentas de que precisa, e o amor que lhe falta está dentro de si ?
Ela tem procurado por ele e simplesmente não encontrou.

As pessoas são apenas os outros, não estão nem aí para os seus problemas. Não entendem, só querem se livrar dessa sua tristeza, então oferecem mais pílulas, mais médicos...

Eles nunca sentiram sua dor e, mesmo assim, julgam ,  criticam e  escondem os próprios defeitos atrás de um tecido tão fino e transparente que só serve para cobrir suas conveniências... 
hipócritas!

Ela se enrola em seu cobertor e foge do frio lá fora,
dos olhares de reprovação e das cobranças. Assim, por um breve instante, vislumbra a mente quieta, o coração tranquilo e o sangue vermelho colorindo os lençóis alvejados...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Tatuagem


Texto: Célia Mota


Um risco,
Uma cor,
Um rabisco,
 uma linha,
uma flor,
uma letra.
A mensagem,
um protesto,
um símbolo,
um poema,
uma coxa,
um ombro,
um jeitinho,
um emblema,
um direito,
 uma escolha,
uma tela em branco,
um corpo,
um efeito,
uma obra de arte!
O que eu quero ser.
Liberdade...
Uma marca,
um marco
Minha identidade!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Metamorfose

I

Texto: Célia Mota

              -Veja, é uma mulher?
             - Não. Apenas uma lagarta feia e desengonçada, suprimida, e encasulada pelo preconceito. Não tem respeito, sequer!

             - Espera, algo está acontecendo... Repare!
             - Sim, percebo agora. Ela tem lindas asas, coloridas, exuberantes e não há nada que se compare!

            - Cresceram quando ela decidiu se abrir para o mundo e mostrar sua verdadeira forma.
             - Valente! Quebrou a casca e voou até o outro lado do jardim sob os olhos deslumbrados da ignorância. Promoveu sua própria reforma!

             - E sua beleza é tão radiante e grandiosa que acabou por cegar a inveja e calar a censura.
             - Mas não se iluda!
Nada é tão fácil, ou rápido. A noite ela vai sentir calafrios, medo e insegurança. E com a solidão, vai faltar carinho, ternura!

             - Eu sei. A transformação é dolorosa, como todas são.
            - O voo?
             - Curto demais. 
No entanto, nada poderia ser tão grandioso quanto à ascensão!
O levante do suprimido, que não voltará a baixar a cabeça, jamais!

A coragem da iniciativa,  
o sucesso e a força deste movimento solitário
causarão em milhares de tímidas lagartas 
um sentimento de liberdade cativa...
a imensa vontade de metamorfosear... abrir as asas, alçar voo!
Partir, deixando para trás a inveja,
medo e autoritarismo arbitrários.

             - Ela semeia consciência a cada batida de asas! 
Agora todas as lagartas sabem que rastejar é apenas condição para voar, 
ganhar o céu,
virar arco Iris, 
com direito a tantas cores profundas e rasas!

Parece mentira, mas, hoje uma pequena e envergonhada lagartinha 
abriu caminho e  foi do chão ao céu! 
Explodiu a beleza, conquistou respeito!
Outras foram se aproximando, e de repente,
Ela não estava mais sozinha!

             - Houve deslumbramento e alegria!
Assim...
 borboleta inspirou a mulher,
outra lagarta que também não mais quer rastejar
ou se esconder no casulo por medo da dor.
Ela quer o céu e o que com ele vier!
Quer  ser respeitada, quer amor!

Por mais assustadoras que sejam as mudanças,
Ela as aceita!
E quanto mais aceitação, mais mudanças.
E quanto mais mudança, mais beleza!
E quanto mais beleza, menos lagartas...
E mais borboletas!
E quanto mais borboletas,
Menos aspereza.


Pois, borboletas, como sonhos,
Cometas, estrelas cadentes...
embelezam o mundo por um tempo,
cumprem seu ciclo e,
não mais que de repente:
desaparecem.

Fugaz e instável... mas não importa.
Compensa cada minuto que leva
para aceitar sua essência,
abrir uma a uma
cada porta.
Para eternizar a beleza dos gestos,
Imprimir a sabedoria da vivência.

E o sorriso de contentamento implícito
na metamorfose de cada personalidade,
no desabrochar das novas ideias
e na conquista da liberdade
Sempre vai superar o medo!




terça-feira, 28 de maio de 2013

Nudez

Imagem: http://agendacult.wordpress.com/2008/05/21/ultima-semana-da-exposicao-a-alma-grafica-brennand-desenhos-ate-25-de-maio-domingo/

Poesia: Carlos Drummond de Andrade.

Não cantarei amores que não tenho,
e, quando tive, nunca celebrei.
Não cantarei o riso que não rira
e que, se risse, ofertaria a pobres.
Minha matéria é o nada.
Jamais ousei cantar algo de vida:
se o canto sai da boca ensimesmada,
é porque a brisa o trouxe, e o leva a brisa,
nem sabe a planta o vento que a visita.

Ou sabe? Algo de nós acaso se transmite,
mas tão disperso, e vago, tão estranho,
que, se regressa a mim que o apascentava,
o ouro suposto é nele cobre e estanho,
estanho e cobre,
e o que não é maleável deixa de ser nobre,
nem era amor aquilo que se amava.

Nem era dor aquilo que doía:
ou dói, agora, quando já se foi?
Que dor se sabe dor, e não se extingue?
(Não cantarei o mar: que ele se vingue
de meu silêncio, nesta concha.)
Que sentimento vive, e já prospera
cavando em nós a terra necessária
para se sepultar à moda austera
de quem vive sua morte?
Não cantarei o morto: é o próprio canto.
E já não sei do espanto,
da úmida assombração que vem do norte
e vai do sul, e, quatro, aos quatro ventos,
ajusta em mim seu terno de lamentos.
Não canto, pois não sei, e toda sílaba
acaso reunida
a sua irmã, em serpes irritadas vejo as duas.

Amador de serpentes, minha vida
passarei, sobre a relva debruçado,
a ver a linha curva que se estende,
ou se contrai e atrai, além da pobre
área de luz de nossa geometria.
Estanho, estanho e cobre,
tais meus pecados, quanto mais fugi
do que enfim capturei, não mais visando
aos alvos imortais.

Ó descobrimento retardado
pela força de ver.
Ó encontro de mim, no meu silêncio,
Configurado, repleto, numa casta
expressão de temor que se despede.
O golfo mais dourado me circunda
com apenas cerrar-se uma janela.
E já não brinco a luz. E dou notícia
Estrita do que dorme,
Sob placa de estanho, sonho informe,
Um lembrar de raízes, ainda menos
Um calar de serenos
Desidratados, sublimes ossuários
Sem ossos;
A morte sem os mortos; a perfeita
Anulação do tempo em tempos vários,
Essa nudez, enfim, além dos corpos,
A modelar campinas no vazio

Da alma, que é apenas alma, e se dissolve.

domingo, 19 de maio de 2013

Para que servem os homens?


Foto: http://fotos.noticias.bol.uol.com.br
Texro: Célia Mota


Há quem diga que as mulheres já não precisam dos homens para mais nada. Eu discordo. Mesmo que estejamos conquistando cada vez mais espaço em um terreno que antes era exclusivamente masculino. Ainda que, cada vez mais presentes em todos os segmentos profissionais, mais eficazes, cuidadosas e delicadas, tenhamos preferência na seleção para determinadas ocupações - mesmo as que eram potencialmente masculinas -, ainda assim, o homem tem seu valor.
           
Nossa competência é inquestionável, sem dúvida, aprendemos a fazer com primor tudo que eles fazem. Trocamos nossos pneus, alimentamos toda a família, cuidamos dos filhos, da roupa, da limpeza do lar e ainda somos motoristas de ônibus, delegadas, advogadas, juízas, médicas, lutadoras de boxe e de vale-tudo, empresárias, cientistas, mecânicas, trapezistas, jornalistas, policiais, professoras de quase tudo... E não duvide, tem mulher comandando até mesmo o tráfico de drogas e também o de influências e favores.
           
A Argentina é governada por uma bela dama Cristina Kirchner, e aqui no Brasil já temos nossa presidente também. Então, para quê mesmo precisamos dos homens? Sexo e procriação? Pois eu respondo: Não pra isso.
           
Hoje em dia encontramos no Sex Shop – febre da modernidade- tudo que uma garota precisa para obter prazer sem complicações. Basta acionar o brinquedinho – que você escolhe no tamanho, modelo e cor de sua preferência - e deixar que a imaginação faça o resto. Alguns deles só faltam dizer eu te amo. Mas, se a comparação é com os homens, então não falta nada. E ainda tem a vantagem de eles – os vibradores - não dormirem depois do sexo, por isso não roncam, também não pedem uma cervejinha enquanto assistem ao futebol, não fumam para relaxar e nem saem com sua melhor amiga, a menos que você empreste. Esqueci-me de alguma coisa?
           
Ah sim, os filhos. Quase ia me esquecendo... Nós já podemos fazê-los sem a ajuda direta de nenhum macho alfa. Em plena época em que os avanços científicos não param! Basta uma inseminação artificial e, pronto, problema resolvido!!!
           
E sabe qual é a melhor parte? O filhinho chega e não traz consigo aqueles famosos incômodos que todas as mães solteiras ou divorciadas conhecem muito bem: Guarda compartilhada, pensão alimentícia, férias com a família do pai, e outros tantos... Se não se sabe quem é o doador do sêmen, não há com quem reclamar, mas também não é preciso ouvir aporrinhações, não é?
           
É por isso que eu digo: Homens se cuidem! Um dia conseguiremos abrir, sozinhas, uma lata de conserva, daí para perdermos o medo de trocar a lâmpada é um passo. E quando este dia chegar, já sabem, né? Bye bye queridos!