quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ode ao fracasso


Texto: Célia Mota

Todo dia de manhã ela sente vontade de chorar.
Assim, do nada, a tristeza chega humilde e vai se avolumando até tomar conta do quarto, do apartamento, do prédio todo.

Então ela abraça o travesseiro e chora, pois nesses dias é impossível sair da cama.
O silêncio insuportável grita em sua mente e ecoa nas paredes.

Quando ela olha para trás, e para os lados, percebe que seu mundo é solidão, que passou a maior parte da vida procurando a “outra metade” sem nunca se dar conta de que talvez já seja completa em si mesma.

E é só esse vazio, mais nada.
Já disseram que você possui todas as ferramentas de que precisa, e o amor que lhe falta está dentro de si ?
Ela tem procurado por ele e simplesmente não encontrou.

As pessoas são apenas os outros, não estão nem aí para os seus problemas. Não entendem, só querem se livrar dessa sua tristeza, então oferecem mais pílulas, mais médicos...

Eles nunca sentiram sua dor e, mesmo assim, julgam ,  criticam e  escondem os próprios defeitos atrás de um tecido tão fino e transparente que só serve para cobrir suas conveniências... 
hipócritas!

Ela se enrola em seu cobertor e foge do frio lá fora,
dos olhares de reprovação e das cobranças. Assim, por um breve instante, vislumbra a mente quieta, o coração tranquilo e o sangue vermelho colorindo os lençóis alvejados...

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